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O Rolar dos Dados

  • Foto do escritor: Luiza Cademartori Jacobsen
    Luiza Cademartori Jacobsen
  • 11 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Conversas sobre oportunidades no exterior fazem parte do meu dia a dia desde quando me mudei para Freiburg (Alemanha), durante a graduação. Isso no longínquo ano de 2007. Os diálogos, claro, se intensificaram a partir de 2012, quando, já formado, deixei o Brasil novamente para trabalhar em um escritório em Frankfurt (Alemanha).


Nestes quase 20 anos, foram inúmeras as conversas com pessoas buscando oportunidades internacionais. Brasileiros e estrangeiros. Estudantes e advogados. Pessoas que já voltaram ao seu país de origem e outras que ainda estão mundo afora.


Todas as que conseguiram uma oportunidade tiveram sorte, principalmente as que conquistaram oportunidades permanentes. Pode-se argumentar que houve muito trabalho, dedicação e resiliência para encontrar a sorte. Sem dúvida. Afinal, conforme o conhecido axioma, a sorte é o encontro da oportunidade com a preparação. Mesmo assim, ela é muitas vezes o principal motivo pelo qual a oportunidade apareceu para algumas pessoas, enquanto para outras igualmente esforçadas, dedicadas e resilientes simplesmente não surgiu.


A sorte de o currículo cair nas mãos certas, na hora certa. A sorte de aparecer um caso grande durante uma oportunidade internacional. A sorte de trabalhar com uma pessoa influente dentro do escritório. São muitas as oportunidades nas quais a sorte pode se manifestar.


E antes dessa fase de procura por oportunidades, há também vários momentos em que a sorte normalmente esteve presente: a sorte de ter um passaporte estrangeiro, condições financeiras, mentores ao longo do caminho, um parceiro que impulsiona, e assim vai. Inclusive, muitas vezes há a sorte de ter sido aprovado em um LL.M. disputado. A aprovação em um LL.M. também é questão de sorte? Na minha opinião, sim. Independentemente do esforço que alguém empregue para construir um perfil interessante, existe um alto grau de subjetividade.


Por isso, a carreira (e a vida) acaba sendo um conjunto de milhares de acasos, definidos pela sorte.


Entretanto, a sorte não diminui o mérito. A dedicação, a preparação e a resiliência são fundamentais para encontrar a sorte.


O destino joga dados. O tempo inteiro. Eu gosto de pensar que cada hora que nos dedicamos à nossa carreira, ou cada ação nossa, aumenta as chances de os dados rolarem até a posição certa. Em um mundo determinado por fatores alheios à nossa vontade, o importante é manter a consistência e focar no que temos controle.  Lembrar do papel do acaso nos ajuda a tomar decisões melhores e a aceitar o rolar dos dados.

 
 
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